
Feche os olhos, apague a luz e fique ali por alguns minutos, deixe tudo que é velho do lado de fora da porta, mantenha os sentimentos e as culpas do outro lado de lá, respire calmamente, permita-se os formigamentos involuntários que tomam seu corpo obrigando-o a fugir da inércia, agüente firme e proíba qualquer pressa de estar lá fora apenas por estar lá, caminhem por aquele mundo brilhante que começa a surgir a sua frente, com objetos incandescentes, pássaros, árvores falantes, dê pause, passe uma borracha, agora é permitido apenas lembrar-se de saudades e de sorrisos, saudades de quem você é de verdade, do eu já presente muito mais nos outros do que por dentro, e dos sorrisos que você já não dá mais com tanta espontaneidade, abstrai-se da li e te olhe de longe, como um pintor e sua musa, se olhe como um artista e sua obra prima; veja aquele filme da sua vida passar de maneira imparcial e lembre-se, estar na hora de retocarmos as falhas, mexer um pouco na maquiagem, porém, nunca esconder os arranhões, apenas ornamentá-los para que se tornem coadjuvantes desse longa metragem sem cortes e edições chamado vida. Abra os olhos, respire um pouco mais, deixe a porta abrir sem pressa, então permita a entrada do novo, grite bem vindo ao por vir, jogue-se do outro lado sem medo de cair outra vez, vá em frente, pois a vida não para, não espera, sinta o calor, apegue-se a um bom dia e pratique de fato o desapego da mesquinhez da vida. Bem vindo ao novo, pode entrar a casa é toda sua!