
De repente o tempo fechou, eu podia ate dizer que não sabia onde estava, mas o pior é que eu sabia exatamente onde me encontrava nessa crônica da vida real com rápidas pinceladas de clichê mexicano, fiquei tonto, de mim arrancaram o chão, as paredes e todo o resto, o sangue esfriou, por um momento parou de correr, perdido sem saber o porquê de continuar; meus escudos foram ao chão, a tristeza não coube dentro de mim e virou lágrima, quero dizer, lágrimas, um oceano de agua e cloreto de sódio, escoando por todo carpete, um gole de vodca não seria nada mal, porem tudo que estava ao meu alcance era uma boa dose de realidade, sem gelo e até o gargalo, como implorei para que tudo não passasse apenas de um pesadelo, daqueles que não te permitem acordar de pressa e te derrubam da cama no meio da noite, deixando marcas por todos os lados e em seguida te deixando aliviado por saber que tudo ficou por trás dos olhos.
Eu preciso dizer que tenho medo, de não da certo, medo da distancia, da saudade e principalmente da ausência, também tenho medo da substituição de peças, das peripécias agora apenas na memoria junto dos sorrisos, abraços, beijos e calor, tenho medo do por vir por não querer ir assim, medo do esquecimento, com o tempo que se encarrega de fazer a memoria virar apenas lembranças saudosas, mas apenas lembranças, medo eu tenho de ouvir aquela música, ou sentir o bendito perfume, de perguntar e perceber que sozinho a resposta nunca virá, não, eu não quero cortar nosso cordão umbilical te deixar voar, e dizer seja feliz, sucesso, eu quero mesmo é que a escrita permita-me gritar, então lá vai – LEVA-ME NA TUA MALA – se mude daqui, mas não mude de mim, dei-me o direito de cumprir a promessa a tempos feita a te, deixa eu cuidar de você, deixa eu amar você, não cruze a porta dizendo que me ama e agora que só resta uma mala na sala, leva as chaves pois a porta estará entre aberta esperando você voltar.