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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Perdão


É caminhando por ainda poucas mais já expressivas marcas do tempo presentes em meu rosto com suas areias brancas e finas, que olho para trás e percebo, uma das palavras mais importantes dessa vida é a palavra perdão. O pedir perdão, algo tão ou mais difícil do que o ato de perdoar (deixar o orgulho de lado e permitir que os sentimentos mais estranhos e verdadeiros aflorem de tal maneira a qual revele nossa verdadeira face), esse texto também é um pedido de perdão a você que lê e absorve um pouco das minhas magoas e tristezas.

Ao passar pela porta naquele dia nublado e aparentemente comum e te ver, linda como os anjos que te cercam e não ter coragem de recuar o pé esquerdo te peço perdão, nosso jardim desabrochava, as borboletas precisavam alçar novos vôos. Voltando ao jardim, cuidei das flores e borboletas que restaram com tamanha dedicação e amor que te perdi por excesso, era a flor mais bela daquele pobre pomar que perdeu o brilho ao vê-la partir, perdão, pois contigo descobri que amar demais nem sempre é bom, na maioria das vezes é preciso fugir e retornar no dia seguinte, contudo, se a palavra perdão fosse um ser – humano, de carne e osso, essa seria você, quantas vezes errei tentando de alguma forma acertar, fugia todas as noites na certeza de te amar cada dia o dobro, porém ao retornar, trazia na bagagem, desconfiança, mentiras, traição e outra vez o pedido de perdão entoava por entre meus dentes, perdão esse que tu derramavas aos montes pelo chão, perdão, pois um dia te amei e precisei de te para ser grande.

Os lábios, o beijo, a pele, a carne, o calor, expressam uma linguagem singular, única, entretanto compreendidas de diversas formas diferentes, ao beijar-te de supetão naquela noite solitária e vazia, meus lábios disseram aos teus que eles se encaixavam perfeitamente de tal maneira criando um elo para a eternidade e só, enquanto entendestes que eu seria tão forte ao ponto de trocar meu mundo pelo seu, perdão, eu sou fraco. As lembranças nos batem a mente como cobradores afiados e sedentos pelo pagamento, é assim que me lembro do som da tua voz ressoando em minha mente, minha pequenina, lembro-me de sua meiga face fitando-me com seus olhos lindos e tristonhos por minha culpa, perdão, meu reino já possuía rainha, mesmo quando minha vontade era que tu fosses à rainha da minha vida. Um reinado de areia, entregue ao tempo, abandonado por seus súditos, a inspiração me falta... na verdade as palavras recusam-se a fixar-se sobre essas linhas enquanto o nó em minha garganta só aumenta, pois chega a hora de falar de minha eterna bailarina, fico sem chão, sem ar, sem vida, sem palavras e escondo-me atrás da pena e do tinteiro para disfarçar as lágrimas bravamente violentando-me para mostrar-se ao mundo, perdão minha bailarina ainda te amo. Insisto ainda em caminhar por esses caminhos e vejo o quanto é longo o caminho, o perdão será pedido por muito tempo, caminhos traiçoeiros e escuros, iluminados pela esperança de um sorriso a cada novo dia, a cada novo perdão... Não era essa a vida que eu queria, mas é a que me cabe.

Postado por Luiz Siqueira às 14:14 Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

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