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segunda-feira, 7 de julho de 2008

My Garden

O outono chega levando ao chão as folhas secas, pendurando nos galhos a esperança de uma nova vida, de um novo fruto. O dia fica gélido, acinzentado com a tristeza da estação a não ser pelo colorido que resiste ao tempo em meu jardim, olho através da janela de minha alma e vejo a rosa solitária, resistente a chuva, driblando com todo seu balé a força do vento e de tudo que vem com ele. A flor nos enche de alegria e de amor com seu sorriso encantado, repleto de dúvidas e certezas passadas de vidas frustradas, aquece meu coração e me confunde em sua grandeza, embriaga-me com seu perfume e todo charme. A chuva goteja delicadamente em suas pétalas que vem e vão como um trago no cigarro, numa viagem entre dedos e boca, até encontrar a terra molhada, já embriagada com doses generosas do mesmo gotejar; pulo a janela num gole de coragem e chego ao jardim, primeiro a visão, tato, depois olfato, os lábios encostam-se, o corpo aquece, então o beijo, uma vez e outra mais; o desejo, a descoberta do novo percorre por todo corpo da bela flor (mesmo quando o novo assuste por ser novo).

Me pego ali parado entre as folhas secas, caídas sobre a grama, misturando-se chegando ao cinza do dia que perde a harmonia apenas pelo amarelo da rosa. Essa rosa teimosa mantém-se intacta e distante (mesmo quando perto demais). Essa flor relutante ao vento que investe frustrante mente em tomá-la de assalto e embalar suas pétalas e todo resto como um rio que corre desesperado ao encontro do mar, confundindo o salgado e o doce sem perder o sabor (por serem diferentes se completam). Sou um jardineiro falho, repleto de erros, porém fiel e dedicado ao meu jardim mesmo que nele tenha uma única rosa; um amante da vida descriminado pelo tempo (ou pela falta dele), repleto de segredos que gritam para serem revelados. Rosa, flor bela inspiradora das noites chuvosas de outono, rosa flor triste, não se deixa amar com medo de entregar-se ao jardim por receio do que os lírios e os jasmins irão pensar de ti. Flor permita-me outro toque, tragar seu cheiro e sem pudor te transforma em rosa, eterna, mesmo que sua vida seja efêmera. Rosa linda flor, viva na mente dos poetas, dos pobres atores, viva a vida intensa e apaixonada, pois a vida só pode ser vivida por nós.

Postado por Luiz Siqueira às 19:05 Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

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