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sábado, 11 de julho de 2009

Vício

Hoje tomei uma dose a menos de você. Levantei-me na gélida e insensível madrugada, o sono há horas já tinha se despedido de mim, virei e revirei na cama larga que solitária implorava por outro corpo, contra a minha vontade coloquei esse corpo nem tão velho, mas cansado dessa vida estranha de pé, alguns passos tateando sob o feixe de luz que invadia a janela juntamente com aquela música de ontem de pano de fundo, as buzinas, tin tin dos copos e os latidos dos cachorros acompanhavam toda aquela sinfonia.
Pronto já estava no banheiro, de fronte ao espelho que refletia na minha cara toda uma historia num insuportável filme, pude assistir minhas alegrias, rever todas as minhas frustrações e principalmente minhas desilusões amorosas (que não foram poucas), nesse filme de amor com roteiro de segunda e um diretor desmotivado e previsível.
Lavei meu rosto tentando apagar de alguma forma todas as marcas de um passado pouco distante que poderia ter sido bem diferente, abri a farmácia, um minuto de alivio, pois o espelho já mostrava outra vida insuportável que não a minha, a vítima agora era o pobre azulejo que passará os seus dias inteiros ali, preso a uma rotina de banho e mau cheiro, meu indicador direito acompanhou meus olhos atrás de uma fuga, meus pensamentos precisavam voltar para perto de mim, deixar sua casa, tomar um táxi e voltar para aquele quadrado que lhe cabia nesta terra, foi então que vi você, no lugar de sempre, tentando outra vez me seduzir, meu vício assumido, desmedido e ousado, mas como todos os vícios, maléficos. “Porque não mais uma vez afogar-me em suas curvas, esquecer quem sou fugir de mim e por breves instantes ser melhor ou apenas não ser nada?” Meu medo é da overdose, de não conseguir largar você, pensar na possibilidade de outro sentir o mesmo me consome e me traga a cada novo segundo, o relógio acelera como se me pressionasse “Ia i, como vai ser?” meus olhos eram duas grandes bolas de fogo que teimavam em continuarem abertas por causa de ti, as mãos apoiadas sobre a pia, o tronco reclinado para frente, posição da derrota, pensava em acender mais um cigarro se eu fumasse, só para quebrar o gelo, eu quero você, eu preciso de você, será? É hora de retrair os passos, para trás um de cada vez como se volta uma velha fita de vídeo, fecho as portas que me leva até você, o espelho me olha outra vez, “agora não, já não tenho medo de você”, acho que já posso o encarar, mas só acho até quando ele permanecer calado volto à cama, deito, fecho a cortina e recolho-me aos meus monstros, fico quieto, sereno, esperando o tempo passar, esse que cura tudo, leva e trás todas as coisas para perto e para longe, o tempo que vai me dar coragem e hoje tomei uma dose a menos de você.
Postado por Luiz Siqueira às 07:56 Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

1 comentários:

Anônimo disse...

Lindo D+ Lú !!!

Adorei saber q fui a sua "musa" inspiradora!!!

VOCÊ ... tbm é meu VÍCIO!!!

31 de julho de 2009 às 13:41

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