quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Preto e Branco
Hoje ele acordou com vontade de morrer... Correu pelas ruas escuras, sem rumo, direção ou qualquer noção de onde ir, passou por aqui, apressado, atravessado, com o corpo suado, despido e desprovido de qualquer outro sentimento, sua cara pálida e abatida assim como sua vida desvalida, ele passava paralelamente as ondas do mar, permitia que o vento em sua face viesse cortar, os outros que caminhavam por ali despercebidos, ocupados com suas vidas e seus problemas diários não entedia o quanto aquele homem sofria, já cansado da vida, de apanhar e lutar sem nunca chegar a algum lugar, levando rasteira em cada esquina ele parou, as mãos nos joelhos levou, era o sinal da derrota, rezou, rezou, e rezou, pedia a Deus força, coragem e sabedoria para continuar, erguia a cabeça e fitava as estrelas, ali via um filme passar rapidamente, duas décadas e pouco de vida resumidas em alguns segundos, um curta em preto e branco clichê e barato como os trapos que ele vestia, o título era “O que eu fiz da minha vida”, digno de Oscar – melhor filme de drama -solitário, abandonado, apaixonado, mas perdido no erros passados outrora apagados, alguns poucos muito poucos perdoados, porém, querendo sempre ir além, começar de novo, reaprender a viver, se permitir pela primeira vez a amar, de verdade sem maldade, sem cobrança, entregar-se totalmente de olhos fechados, com uma intensidade profunda que expelia por seus poros numa vontade inocente de amar, entregar sua vida em outras mãos sem ele querer ter outra opção, pegar a contra-mão da razão e simplesmente ser seu, por isso tanta insistência, por isso tanta devoção, por isso tanta paixão. Ergueu-se outra vez mais calmo, como uma criança aprendendo a andar meio bamba insegura voltou a passear lentamente esperando o tempo chegar, esperando uma mão amiga, um telefonema ou apenas uma faísca, suplicando uma chance do amor para ser feliz, ele ainda acreditava, continuava, pois a certeza de dias melhores chegarem alimentava seu espírito, ele parou, abriu os braços ao máximo, fechou os olhos, respirou fundo aquietando aquele pedaço seu que bate aqui do lado esquerdo, deixou por conta do vento e do mar a trilha sonora daquele instante tão inconstante, abstraiu-se dali, abandou o seu corpo, a sua vida e os seus dias e como uma mãe recebe um filho entregou-se a ti... Por favor, cuida de mim. Após isso adormeceu ti aguardando nos braços de Morpheus.
Postado por
Luiz Siqueira
às
11:06
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1 comentários:
Que esta espera possa acabar num momento próximo, e que todas as respostas que esperamos possam vir e fluir em nossas vidas! Tava com saudades daqui... beijão!
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