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terça-feira, 17 de maio de 2011

Tempestade

Lá fora chuva não para, todos do olimpo em consenso resolveram dividir minha dor e chorar comigo, já estou de joelhos, completamente sem força, esperando apenas o movimento da correnteza, entregue corpo inteiro na expectativa do golpe final, um condenado a caminho da guilhotina; munida de uma lamina chamada destino, teimando em nunca jogar no meu time, prefere sempre a rivalidade a rirmos juntos, estou aqui outra vez confessando o meu medo, agora do espelho, de não mais me enxergar nele, estou de fato com muito medo, inseguro, abatido e impotente, acanhado e encolhido no canto do quarto, frio, escuro repleto de pensamentos vagando desordenados, palavras e vontades guardadas nas mãos marcadas que ainda encontram força para escrever e assim aliviar as dores, da perda, da frustração, da falta de tempo de não ter mais tempo. Meus olhos ardem, não imaginava ser capaz de produzir tantas lágrimas assim, acho que isso explica essa leve desidratação, escrevo para chegar mais perto, bem mais perto de você, quebrar barreiras, correntes e amarras, escrevo para que você possa enxergar por entre esse amontoado de letras o que eu não consigo mostrar, uma tentativa patética de expressar meu sofrimento, estou desesperado, estou desesperado. Despertei meus piores demônios que batem em minha janela e veem ate aqui apenas para zombar de mim, e mostrar como sou fraco, o quanto sou pequeno, entenda que já estou morto com essa ausência, já estou condenado à desventura de não ser por não ter, não possuir, não poder fazer nada para mudar esses capítulos que não foram escritos por mim, volto ao espelho e não sei mais quem vejo, nem como vejo, a derrota tomou conta do lugar, a apatia veio junto, a minha companhia é meu ídolo depressivo, bêbado e perfeccionista que toca na vitrola velha suas musicas, tristes, bêbadas, depressivas e assim absurdamente se auto intitulando a trilha sonora perfeita nesse momento da minha vida, não tenho fome, não tenho ideias, não tenho certezas. Na TV uma comédia romântica me faz chorar, eu me rendo, sem vergonha, eu me entrego que seja feita a tua vontade, já deixei o desespero tomar conta da casa e acho que já disse isso também, meu coração estar partido, na contra mão dos teus passos cansados de mim, será que não fui tão bom assim, sou eu quem te faz feliz, não segue sem mim, vira e me beija, deixa eu me perder nos teus lençóis, não quero me acostumar com o vazio, nem ficar apenas com seu retrato, eu quero o hoje, o amanha e o depois do fim com você, por dentro e por fora.
Postado por Luiz Siqueira às 20:04 Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

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