Por aqui, tudo tão frio e cinza, luz por debaixo da porta e por entre o balé da cortina na janela,
Nem se quer um barulho, ao menos um sussurro no pé do ouvido, pêlos ouriçados indicado tua posição e o pensamento, adivinha aonde? Já tentei dormir, te sentir, já te procurei em todas as garrafas de vodca possíveis, passo de canto ao outro investigando os mínimos detalhes, já andei no teto e lá você também não está, olhei também dentro de mim, só resquícios seus. A cama ficou ligeiramente enorme calculo cerca de uma semana para chegar de um lado ao outro, do outro lado vejo... Tudo aquilo que eu poderia ser, minha imaginação é meu pior castigo, tuas ilusões meus melhores vícios, vejo-me preso a desejos seus, do outro lado da rua a procura de um beijo manchado e marcado de batom vermelho barato, perco-me no medo de me perder no tempo, penso em atravessar a porta correr em tua direção e gritar... Baixinho só pro seu coração ouvir, fica comigo, só por essa noite, acostumei-me com a rejeição, com a solidão e com o teu constante e firme não, outra dose de vodca para espantar o frio e trazê-la mais pra perto, As palavras me chegam num instante que passa no momento seguinte, é a forma que encontro de externar o que sinto o que penso, ou como dizem os sábios é a saída para sublimar a minha dor, e como dói amar alguém, quando confiamos nosso espírito nas mãos de outra pessoa, quando nos doamos de alma e corpo e permutamos nossas alegrias, nossas conquistas, quando escrevemos sempre no presente e constantemente no futuro usando sempre o nós, mas será que deveríamos acreditar no amor?
Paro pra refletir entre uma dose e mais outra, investigo o telefone em busca de uma ligação perdida e volto a escrever. Nessa estrada escura eu sigo sem certeza de nada, apenas abri os braços, fechei os olhos sentindo o vento batendo em meu rosto e sem olhar pra trás saltei para o desconhecido, permiti que me dominasse, como o cão a procura de um amigo, entreguei-me a ti, olho pro nada esperando um sinal de vida seu que se foi sem um misero adeus, corro desesperado, louco entre os carros, as pessoas me olham e me julgam um alucinado a procura de um beijo, um abraço, um sorriso, porem só encontro o vazio, ali você não está mais, sinto-me perdido nesse duelo de espadas onde estou armado com um escudo e na outra mão uma flor esperando sua decisão entra lá e aqui, esperando, sempre esperando, procuro forças todos os dias no tempo, no outro amanhecer que rezo pra chegar logo, eu sou todo seu...
Sim podemos acreditar no amor!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Fuga
Postado por
Luiz Siqueira
às
09:10
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1 comentários:
"... Minha imaginação é meu pior castigo, tuas ilusões meus melhores vícios ..."
Esta frase é simplesmente perfeita pra mim, senti como uma faca cravando o peito, inspirou saudade...
Momento lindO do meu dia: teu blog e teus escritos.
Bjo meu poeta, milhões de bjosssss
Ah!! Acreditemos sempre no Amor ... vale muito a pena.
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