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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Película

Ela entrou na minha vida pela janela traseira, quebrou o vidro e caiu sem pára-quedas no banco de trás, primeiro os freios, um susto, o meu, em seguida, alívio o dela e um sorriso num canto da boca, antes apenas os cabelos escuros, cumpridos e tudo que eu pude reparar naquele vestido branco, aquelas pernas e, diga-se de passagem, que belas pernas, olhos nos olhos, um instante inerte, anestesiado, lá fora rua escura quebrando o clima apenas o som daquele farol piscando na hora errada, então o silêncio é interrompido.
- Oi! (primeiro eu)
- Oi!Pisa fundo...
O pé foi ao acelerador sem saber ao certo por que, não conseguia mais pensar, a razão ficou na esquina com medo dos pneus cantando e pulou assustada pela mesma janela que ela entrou, vamos em frente, sem pensar em nada, as coisas lá fora ficava destorcidas, o velocímetro acompanhava as batidas em meu peito, 110, 120, 140... De repente as pernas que me deixaram sem palavras cruzaram para o banco da frente, deslizou, sentou ao meu lado e dessa vez permitiu escapar um lindo sorriso perigoso, olhar meigo misturado com uma malicia só dela, aquela cena precisava ser repetida em slown mottion de preferência, primeiro o salto vermelho, as pernas, calma devagar bem devagar, dava ate pra imaginar um jazz tocando de fundo enquanto as coxas vinham no balanço do vestido curto, de seda, passou a primeira e eu já estou embriagado e desesperado, pois a cena vai se repetir.
- é só isso que pode fazer? Acelera!
Aperta o play e acelera mais uma vez, concentra a curvas na frente perigosas, porem, menos sinuosas do que as curvas de seus quadris, respiração funda a dela, incontrolável a minha, a mulher olhava para trás tendo a certeza que já estava longe de tudo o que lhe afligia, eu me sentia como um anjo, caído, mas um anjo ali surgido em seu caminho de supetão, sem esperar, com o dever de sei lá o quê, por enquanto só de pisar fundo. A chuva aumentava, a visão da pista diminuía, eu concentração total, só não sabia em quê, cortava a noite a fora sem pena, um olho na pista outro nas pernas, saímos da cidade pelo menos era isso que a placa na beira da estrada dizia “boa viagem”, eu agradecia esperando o bom da viagem, pois a boa da historia estava ao meu lado, mais alguns minutos com pé bem fundo no acelerador, algumas olhadas para trás investigando a certeza da fuga, ânimos controlados e mais uma vez silencio quebrado:
- obrigado por me salvar.
- salvar de quê ou de quem?
- sem perguntas... Deixe-me agradecer gato...
Disse ela sem pestanejar, lançando suas pernas sobre mim, perdi o controle por instantes do carro, porque o da situação havia perdido no momento do vidro quebrado, uma mão no volante outra em seus quadris, pé bem fundo, aqueles lábios vermelhos encontraram os meus, há essa hora não dá mais par falar de controle, ela rasgou minha camisa num único movimento, violento, nós dois, abriu minha calça, seria excesso de informação salientar que nesse momento eu estava a ponto de explodir, excitado até o ultimo fio de cabelo? Bem, era verdade eu estava; mão a dela em meu pênis, em seus seios minha boca, na estrada um carro a quase 140 km/h com um vidro quebrado e todos os outros embaçando, aumenta o volume que lá vai um rock rol clássico dos anos 80, enquanto suas mãos agora seguravam meus cabelos, que dizer, arrancavam os poucos que ainda me sobravam, as minhas alternando entre o céu e o volante, apertava-lhe as coxas, pernas e onde tivesse carne, entre apertões e volante, havia tempo para atender seus desejos.
- me bate, com força.
Ela gritava, eu respondia, ou melhor, batia, ela mexia, remexia, eu não acreditava que tudo aquilo era possível, não daquela forma, desafiávamos a física e provamos que sim, dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço, que dizer no carro, eu tava quase lá, suas unhas desciam por minhas costas, cortando como a gata que era ela, ficamos então monossilábicos facilitando a comunicação, ai ai ai ai, ui, ai, seus gemidos, por vezes alto, por vezes mais alto ainda, de repente foram ficando longe, sua imagem ali tão viva, destorcendo aos poucos, então o escuro...
Uma voz ao pé do ouvido que não lembrava em nada a dona daquelas coxas.
- meu filho acorda, para de babá no sofá e vai pra cama!
Frustração, a minha e só minha, ali espojado naquele sofá, ela em widscreen fora do ar, fechei os olhos tentando trazê-la de volta, não adiantou, demorou um pouco pra acreditar, mas ela cumpriu com sua promessa, agradeceu a minha ajuda e fugiu outra vez, me deixou pra trás, gozado, relaxado e muito apaixonado, levou meu coração embora, o sono passou, estou só de volta a rua, hora de apertar o play e pisar fundo outra vez...
Postado por Luiz Siqueira às 11:05 Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest

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