quinta-feira, 15 de abril de 2010
metade
A tela estava em branco até agora pouco, os dedos travaram antes de conseguir escrever essa crônica que se desenrolará em instantes, mais uma que me sublimo e transcrevo-me para dividir com vocês meus sentimentos mais profundos e obscuros, na minha garganta, um nó proveniente das lágrimas, algumas que chegam aos meus olhos e escapam pelo canto; A dor que eu sinto hoje eu não desejo a ninguém, uma dor pela primeira vez sem tradução, um vazio que se abriu aqui do lado esquerdo de repente, UM GRITO NO MEIO DO ESPAÇO, UM SILENCIO QUE ECOA NO MEIO DO NADA, olho pros cantos vazios e me toma por completo uma saudade de algo que jamais passou por aqui a não ser por dentro, uma ausência tão presente de algo que só ficou vivo em minha mente (uma pausa para pensar um pouco e tomar fôlego para continuar), a vontade é gritar, me abraçar e dizer – tenha calma, tudo vai se resolver. Infelizmente não é bem isso que me acontece, logo as cobranças e as verdades invadem a sala e lá me fazem refém, jogam na minha cara a culpa dessa dor, dessa ausência que vai persistir, eu soldado da vida, poeta, escritor e muito sonhador (pisciano), porém sem nunca permitir meus pés de descolarem do chão, ficava ali parado, sem força, de mãos atadas, impotência, tristeza escondida a força por trás de um sorriso amarelado, de bobas palavras pra te fazerem sorrir, a dor que me consome é a dor da perda, a partida de um pedaço de mim, fico ali num canto sentado encolhido com medo e com vergonha da minha sombra, do que me transformei e no que deixo de ser por preguiça ou descrença, estou a um passo de me afogar na banheira, deixar a água tomar conta de mim e dos pulmões esperando as ultimas bolhas estourarem na superfície, penso um pouco mais e mais, me apego a Deus pedindo conforto em meu peito, sabedoria em meu caminho, estou ficando sem ar, contudo ainda consigo refletir sobre minha vida, a visão já fica um pouco turva, tudo está mais leve, as perdas existem para nos tornar mais fortes, elas surgem de uma maneira estranha e dolorosa trazendo com elas a união, que só descobrimos na separação, o peito começa a ficar seco, os dedos dormentes, o ar cada vez menos, algo precisa me fazer outra vez ficar de pé sai daquela posição de inércia e encarar de vez a vida, dei a cara pra ela bater, agora preciso entrar no jogo e alguém vai ter que apanhar, o chuveiro ligado, a água escorre inundando todo banheiro, é a prova que está chegando a hora, vai levar alguns dias para que achem meu corpo, o telefone a e Campânia vão gritar por me, a água logo vai tomar conta da casa inteira, as correspondências chegaram, quando todos os jobs se acumularem e os clientes cobrarem que eu abstraia toda minha inspiração para transformar suas fantasias em resultado, submetendo-me muitas vezes ao clichê da pobre filosofia popular, ai sim, vão sentir falta de me. Alguns minutos na escuridão esperando enxergar a famosa luz... Ainda a tempo de abrir os olhos fixar as mãos nas laterais e voltar, guardar em algum lugar aquela dor fechar os pulsos, esticar os braços e seguir em frente, acreditar na vida, acreditar em mim, achar a formula da sua felicidade assim que eu descobrir a minha também, fecho o chuveiro desligando tudo que não me acrescenta e que me destrói, esvazio a banheira e lá deixo escorrer minhas frustrações, o banheiro enxugo as minhas ansiedades e o meu sentimentalismo, não me deixe escorrer pelos seus dedos é em teus braços que quero morar, hora de dormir e de amanha recomeçar uma busca incessante pela tal da realização pessoal que é completa quando realizamos o nós e nunca apenas o eu.
Postado por
Luiz Siqueira
às
17:33
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1 comentários:
Nem só de amor vive a poesia.
Ou a vida.
Tristeza tbm tem seus dias...
Desejo dias alegres e lindos !!!
bjO
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