
De mentira em mentira o poeta enche o papo,
Nos devaneios perversos de seus estalos,
Cospe da alma tudo que não viveu, conheceu
Ou se quer ouviu falar,
De letra em letra, ele possui a gramática
Como os bêbados as putas,
Constrói uma armadilha e te puxa,
Ele fala de amor e paixão ao mesmo
Tempo, sem a mínima coragem de viver
Tal sentimento.
De boca em boca, ele se propaga e muitas vezes
Afaga as dores do outro até outrora anônimo,
De dor em dor, o poeta se cala, caleja, o peito
Antes despercebido das mazelas das almas
Que agora cobram suas contas,
E assim aprimora a escrita,
De amor em amor, esse surrado poeta vagabundo
No submundo literário,
Sublima nas palavras as dores do mundo.
Melhor ser ignorante, sem rima a sofrer
A sina de saber de mais do que nada se sabe.
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